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São Paulo para crianças

mamibirapuera

Pode parecer um pouco assustador fazer turismo com crianças numa das maiores metrópoles do mundo. Mas, para a jornalista Luciana Kraemer, de Porto Alegre, a viagem a São Paulo com as filhas Nina, 10 anos, e Dora, 5, e o marido, Fernando Alano, foi mais do que um passeio: foi assistir de camarote aos olhos das crianças brilhando diante de um caldeirão cultural rico em diversidade e novidades:

– Nós adoramos São Paulo, e quando a mais velha tinha quatro anos, havíamos feito passeio semelhante com ela, mas com menos tempo. Daí pensei que estava na hora de apresentar uma das maiores cidades do mundo para a Dorinha. Aproveitei que meu marido já estava lá e nos encontramos com ele.

MercadoMunicipalSP

Turismo com as filhas a tiracolo não é novidade para a família. Nina tinha apenas quatro meses quando a família encarou uma viagem para Argentina e Uruguai. A estratégia era ter sempre brinquedinhos baratos – e novos – para apresentar quando se entediavam. Assim, as crianças se acostumavam a dormir em qualquer lugar e entender a experiência como aventura.

– Conhecer um lugar com elas faz toda a diferença. Primeiro porque estamos tranquilos que elas estão com a gente. Depois, porque é muito gostoso perceber como já observam e interpretam o mundo, a forma divertida com que encaram as descobertas. O fato de vibrarem com os novos lugares faz a gente ter certeza de que este investimento já faz diferença na vida delas – conta Luciana, que tem todo o cuidado para intensificar passeios culturais com as pequenas, incluindo museus e espaços de arte nos roteiros.

DoraMuseuSP

Para a viagem a São Paulo, a jornalista pesquisou os melhores programas para crianças no Tripadvisor e sentou para fazer combinações com as filhas:

– Antes de sairmos de Porto Alegre, combinamos que alguns passeios seriam basicamente para satisfazer o interesse delas, e outros, que faziam parte do nosso mundo, na medida do possível, tentaríamos cruzar com os interesses delas.

O bom é que criança é sempre um caixinha de surpresas e, já de volta a Porto Alegre, no balanço de viagem, os programas culturais apareceram na lista dos top 10 das meninas: Dora amou o Parque Ibirapuera e Nina adorou andar de metrô e ir ao Museu Catavento.

O próximo destino ainda não foi fechado, no entanto, roteiros como Amazônia e Centro-Oeste figuram como alternativas.

Os principais roteiros, por Luciana Kraemer:

Kidzania

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Começamos a viagem com um passeio pelo Kidzania, um parque temático no Shopping Eldorado. Passamos a tarde inteira nesta minicidade, que tenta reproduzir a vida em sociedade. Fazia parte da brincadeira trabalhar, receber um salário e depois gastar. Elas experimentaram a vida de médico, doceiro, jornalista, artista plástico, carteiro, agente de segurança, enfim. Entraram às 14 horas e saíram às 19:30 porque iria fechar. Foi o passeio mais caro, mas achei extremamente educativo, valeu muito a pena.

Museu Catavento e Mercado Público

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Elas toparam ir com a gente ao Mercado Público Municipal de São Paulo, um lugar lindo, onde se encontra todo o tipo de especiaria e pode-se comer o melhor e maior pastel de bacalhau da cidade ou o já tradicional sanduíche de mortadela. Foi onde também encontrei os maiores e mais deliciosos morangos que já experimentei. O Mercado fica na zona central da cidade, próximo ao Museu Catavento Cultural e Educacional, um espaço maravilhoso, didático para entender o desenvolvimento da humanidade, com muita interação. Quando saímos do Museu Catavento, após três horas de passeio, ficamos chateados por não termos conseguido ver tudo. Era para ser um programa para criança, mas os adultos curtem tanto quanto.

Metrô e 25 de Março

MetrôSP

Pegar metrô fez parte da atração turística. Assim como ocorre nas demais cidades que visitamos, tentamos viver como os nativos. Gostamos de experimentar o transporte público, e costumamos nos divertir muito nesta aventura. É parte da exploração conhecer o centro da cidade, que costuma concentrar áreas mais degradadas e grupos sociais de excluídos. Achamos que as meninas precisam ver estes contrastes que fazem parte do nosso país. Falamos isto para elas, que precisamos ficar espertos, mas que estes lugares não são necessariamente mais perigosos. O resultado é que elas adoraram a Rua 25 de Março, apesar de não termos gasto um centavo neste centro de compras.

Bairro Liberdade

A ideia era sair dali e ir para o Museu da Língua Portuguesa, mas como já tínhamos ido a muitos museus, resolvemos nos aventurar no Bairro Liberdade. Foi muito legal. Aquele formigueiro humano repleto de olhos puxados, a sonoridade da língua, o almoço no restaurante típico, elas não mostraram qualquer sinal de que estavam enfadadas seja por caminhar feito malucas naquele espaço ou pelo amontoado de gente. Encararam como se estivessem em outro país. Para nós, foi como fechar com chave de ouro os quatro dias na grande metrópole. Sempre de metrô, de manhã à noite.

Ibirapuera

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Tiramos o terceiro dia para ficar no Parque Ibirapuera. Passamos o dia lá, misturando passeios com bicicletas alugadas e visitas aos espaços museológicos. Elas amaram o parque e as tribos que lá passeiam. Vimos várias esquetes, um piquenique com centenas de jovens aficionados pela série Os Heróis do Olimpo, coincidentemente o livro que a Nina estava lendo, além de muitas famílias. Almoçamos no ótimo Bistrô do MAM, onde também tem um lojinha que as gurias adoraram. Depois toparam ir com a gente ao Museu Afro Brasil, lindo, mas com menos interatividade.

Sala São Paulo

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O último dia guardou o grande teste de tolerância delas. Queríamos muito conhecer a Sala São Paulo, que é considerada uma das 10 salas com melhor acústica do mundo. Para a nossa sorte, haveria um concerto para dois pianos que misturava o erudito com popular, com ênfase nas obras de Tom Jobim. Fizemos uma preleção, avisamos sobre a necessidade de bom comportamento, como ambas estão acostumadas a frequentar teatro e apresentações, fica um pouco mais fácil. Mesmo assim, levamos livrinho para as duas e nos tocamos para a sala. Deu certo. O concerto durou 60 minutos, tempo justo para o prazo de validade delas. Quando terminou ficamos felizes em ver que elas passaram na prova.​

(Fotos: arquivo pessoal)

 

 

 



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